Acabei de jantar! Banquete provido pelo Mc! Franguinho frito, torta de maçã e por aí vai... tô numa fase que não me alimento mais... simplesmante ingiro. Mas vamos ao que interessa!
Em uma bela manhã havaiana nosso querido chefe Sr. Siriguejo resolveu levar os Waimea Boys para um passeio, e lá fomos nós conhecer aquela bela montanha que vemos diariamente pelas janelas do Mc.
Mauna Kea. Esse é o nome da maior montanha do mundo. Não, não é o Everest com seus absurdos 8848 metros. Calma que eu vou tentar explicar.
O pico do Everest é o ponto mais alto do mundo, fato. Porém “a montanha” Everest está apoiada na cadeia do Himalaia, como se uma pedra gigante estivesse sobre um outro troço maior ainda. Já Mauna Kea com seus singelos 4205 metros de altura é a maior montanha quando medida da base (abaixo do Pacífico) ao topo, tendo então expressivos 10000 metros(!). Não podia deixar de ser um vulcão inativo, formado entre 200 e 250 mil anos, fez seu último show ‘’pirotécnico’’ há uns 100 anos.
O pico está situado aproximadamente 40% acima da atmosfera da Terra, esse é um dos fatores que torna o local um dos melhores pontos de observação astronômica do mundo.
Mauna Kea vista de Waimea. Essa é uma parte da rua que moro.
Sadlle Road é a estrada que leva à montanha e é a pior estrada do Havaí, porém para nós brazucas não é tão ruim assim afinal estamos acostumados com benditas BR’s que podiam bem servir de cenário para qualquer corrida off-road. Minha primeira incursão por essa estrada foi em uma fria noite sem nuvens no céu. Sapupara e eu estávamos entediados e resolvemos sair por aí dirigindo. - Ei! Vamos pegar aquela estrada foda que vai pra montanha? Ha! Topei na hora!
Depois de dirigir por algum tempo resolvemos parar pra dar uma olhada no céu, e eu tentar achar algum disco-voador. CARALEO!!! Que céu! Sem dúvida foi o melhor que já vi em minha vida. Um verdadeiro planetário! Tentei por em prática o pouco que aprendi no curso de observação do céu que fiz no planetário mas o frio era tanto que não conseguimos ficar muito tempo pra fora do carro, além do que nosso querido Buickzão estava dando sinais de preguiça ameaçando desligar. É, ele é bem temperamental, às vezes decide não ligar... então temos que esperar uns 40 minutos até que ele resolva nos levar por aí.
Adoro me sentir pequeno e insignificante diante das criações da natureza, é esse foi um dos momentos. Gosto pois me dispo de nossa arrogância humana e me coloco de novo em meu papel no planeta, apenas um outro ser que perambula por aí tentando conseguir comida e sexo.
Fizemos uma parada no centro turístico ao pé da montanha, onde pudemos perceber onde estavão as nuvens. Abaixo de nós! Tinhámos realmente trilhado uma estrada para as nuvens... e acima.
O centro turísitico é pequeno mas legal, vídeozinhos rolando e um monte de japoneses assistindo, computadores pra fuçar em alguns programas de astronomia e todo tipo de tranqueira que sua falta de consciência permita comprar. Tem até uma bandeira do Brasilsilsilsil! Nosso país participa do consórcio do observatório Gemini.
Sapupa e Siriguejo
Piquenique no centro turístico.
Vegetação ao pé do Mauna Kea. Me senti na África. Não parece?
Seguimos então por uma estrada não asfaltada onde só é permitido o tráfego de 4x4. O cenário foi se modificando cada vez mais. Gelo, uma terra avermelhada estranha e bonita.
Me senti em filme de ficção-científica andando por entre os observatórios e antenas, pisando em neve e vendo as nuvens lá embaixo.
Quando achei que o passeio estava chegando ao fim o Siriguejo parou o carro ao lado de um grande morro coberto de neve, do porta-malas tirou uma cadeira, um cooler com refrigerantes e cerveja, sentou-se e ficou nos assistindo enquanto lutávamos tentando chegar ao topo do morro. Dava uns dez passos e tinha que parar pra respirar, pois naquelas condições andar e respirar ao mesmo tempo era uma tarefa muito complicada.
O carro ia ficando cada vez menor e meu fôlego também.
Chegamos! Tô cansado... afff... mas peraí! Isso não é só um morro. O que é isso? Porra! É um vulcão inativo!! Hahaha! Comecei a rir sozinho! Emocionante! Sei lá pra alguns pode parecer uma puta bobagem... mas curto tanto esse tipo de coisa que fiquei extasiado!
Silêncio... que paz... ficamos sem falar por algum tempo... cada um curtindo seu próprio momento com o vulcão.
Não deveria ter ficado tão surpreso ao me deparar com um vulcão afinal o arquipélago é formado por atividade vulcânica, mas foi naquele momento que pude realmente vivenciar e entender o que isso significa. Quanta força!
Olhava aquela imensa depressão, formada quando a lava da caldeira acaba e o vulcão se colapsa, e ficava imaginando o tamanho quando estava ativo. Pegava as pedras que estavam no chão, algumas leves e porosas, outras mais densas... fiz um puta esforço pra relembrar algumas coisas das aulas de geologia mas fiquei cansado e resolvi apenas contemplar. O tempo parou.